Convocatória aos PUEBLOS de NUESTRA AMERICA

miércoles, 28 de octubre de 2015

VEJA UM VÍDEO QUASE DESCONHECIDO SOBRE O EPISÓDIO QUE GEROU A GREVE DE FOME DOS "QUATRO DE SALVADOR"

Aos poucos vão aparecendo na internet peças como este vídeo, que permitem montar o quebra-cabeças de uma das raras greves de fome bem sucedidas no Brasil --e, exatamente por isto, muito menos lembrada do que as, por um motivo ou outro, terminadas em desistência, como as de Lula e outros sindicalistas do ABC, de D. Flávio Cappio, de Anthony Garotinho e de Cesare Battisti.

Tive a oportunidade de contribuir para tal vitória, quando militantes nordestinos iniciaram o protesto de supetão  e fiz esforços desesperados para conseguir repercussão na imprensa, vital para que atingissem seu objetivo. 

Por ser inconveniente para a direita derrotada e a esquerda omissa, a greve de fome dos quatro de Salvador (dentre cinco presos em flagrante: Antonio Prestes de Paula, Cícero Araújo, Jari José Evangelista, José Wellington Diógenes e Marcos Wilson Lemos. Não me lembro nem consegui agora determinar qual deles ficou de fora do protesto) foi convenientemente relegada ao esquecimento. É mais fácil encontrarmos registros cuja ótica é policialesca, limitada ao assalto e prisão, como este aqui.

Daquela vez muitos se furtaram ao dever da solidariedade: houve quem se distanciasse completamente e quem não fizesse tudo que podia/deveria.
O erro: tentarem reeditar a luta armada... em 1986!


Mesmo assim, os esforços bem-intencionados frutificaram -- ainda que de forma dramática, a duríssimas penas.

Para reconstituir o episódio, aproveitarei, primeiramente, trechos da tese de pós-graduação em História de Lucas Porto Marchesini Torres, na Universidade  Federal da Bahia, A questão financeira é uma questão política, cuja íntegra vocês podem acessar aqui:

"Em abril de 1986, cinco homens foram presos após tentativa frustrada de assalto à agência Canela do Banco do Brasil na capital da Bahia, Salvador. Depois de um rápido cerco policial, tiros disparados por ambas as partes e alguma negociação, aos cinco assaltantes restaram poucas opções. O automóvel Voyage que os aguardava de frente ao banco, roubado e com placa fria, tornara-se inatingível para a fuga. Cercados, renderam-se. Entregaram suas armas (dois revólveres calibre 32, dois 38 e uma pistola automática Lugger), mais outras que haviam tomados aos seguranças, uma sacola de dinheiro contendo aproximadamente 230 mil cruzados e alguns objetos pessoais dos clientes (relógios, pulseiras, etc.). 

Do primeiro contato direto que tiveram com os policiais surgiu a necessidade de revelarem aquilo que deveria ter sido mantido em segredo e era escamoteado pelos contornos que os cinco detidos pretendiam, até então, dar àquele assalto. Algemados e submetidos, por medo de serem confundidos (e tratados como) bandidos comuns ou membros da Falange Vermelha, apressaram-se em assumir: 'somos todos petistas!'.
Apolônio de Carvalho, dirigente do PCBR voltando do exílio. 

Ao buscarem diferenciar-se dos criminosos ditos comuns, esclareceram que com o assalto desejavam levantar fundos em ajuda à Nicarágua sandinista, para onde o dinheiro seria enviado ou financiaria a viagem deles para lá como trabalhadores voluntários. Tais alegações alçaram essa ocorrência incomum ao noticiário nacional, com grande destaque, e as páginas em que apareceu não eram as policiais.

Na década de 1990 um pequeno documentário foi realizado com os presos. Introduzido por "Soy louco por ti America", de Caetano Veloso e Capinam, (...) Marcos foi recolado à frente da agência onde foi preso para recontar sua versão, agora não mais para agentes policiais. (...) Primeiro registrou demonstrações de coragem e capacidade do grupo, conscientes de como deviam se comportar naquele momento de tensão, sem perder o controle da situação. À porta do banco, segundo Marcos, a imprensa era amiga, salvaguardando a vida dos assaltantes; em seguida, se tornou inimiga, deturpando declarações dos presos. 

Marcos, à sua maneira, apostou na caracterização do grupo como ingênuo e idealista. “Eu contava com apenas 22 anos”, disse demonstrando sua juventude presumidamente imatura. Reputou suas duas grandes influências na vida, àqueles que o estimularam a perseguir seu ideal revolucionário: “Rubens Lemos, meu pai, que foi preso político na década de 1970, e Ernesto Che Guevara”.

A sentença não foi igual para todos. José Wellington, Jari, Marcos e Cícero foram apenados com treze anos e dez meses de reclusão, mais o pagamento de uma multa no valor de 21 mil cruzeiros. Prestes de Paula e Telson, com sete anos e dez meses, mais 12 mil cruzeiros de multa.
O prestígio do sandinismo estava no auge entre nós  

Após a definição da sentença, havia pouco a fazer. Os militantes perderam o espaço que tinham na imprensa e suas aparições ali tornaram-se rarefeitas.

Individualmente, tentaram benefícios que certamente os ajudaram a resistir à vida na prisão. A partir de 1987, três deles conseguiram liberação da Justiça para estudar fora do presídio. Marcos ingressou no curso de Filosofia, José Wellington em Direito (para mais adiante especializar-se na área criminal) e Telson frequentou curso técnico de soldador oferecido pelo Senai. Os demais se dedicaram ao artesanato dentro da prisão".

OS LULUS INOFENSIVOS E O CACHORRO LOUCO

Para complementar, eis narrativa que fiz em Náufrago da Utopia (Geração Editorial, 2005), único livro que parece ter abordado a greve de fome. 

[Vale, ainda, acrescentar que os cinco acabaram sendo expulsos do PT, que não lhes deu chance de apresentar  defesa e só se preocupou com os danos à sua imagem pública, não movendo uma palha para evitar que sofressem arbitrariedades na prisão.]

Como escrevi boa parte do Náufrago na 3ª pessoa, refiro-me a mim mesmo pelo pseudônimo que então utilizava para driblar a censura do regime militar: André Mauro.

Sem mais delongas, vamos ao que interessa:
Rubens Lemos tivera seus dentes arrancados pela ditadura
"André chega atrasado para a reunião da Cacimba, numa tarde de sábado. O grupo literário se distribui por cadeiras e pelo chão do quarto. A palavra está com um visitante ilustre: Rubens Lemos, jornalista, poeta e velho militante comunista. André cumprimenta a todos, pede desculpa pelo atraso e se acomoda. Rubens continua expondo o problema que o trouxe a São Paulo.

Seu filho e outros companheiros foram presos ao assaltarem um banco na capital baiana, alguns meses atrás. Dinheiro para a revolução, uma prática que já parecia extinta. Por serem todos petistas, a imprensa fez estardalhaço. E o partido, temendo que esse fato fosse explorado na campanha eleitoral, voltou as costas aos chamados quatro de Salvador.

O PT está obsessivamente empenhado em livrar-se da imagem de reduto dos antigos terroristas.

Na primeira eleição de que participou, em 1982, a lei eleitoral só permitia a exibição, no horário gratuito da TV, do currículo e foto de cada candidato. Os aspirantes petistas a deputados eram quase todos originários da resistência à ditadura — e orgulhavam-se disso, fazendo questão de destacar a condição de ex-presos políticos.

A direita, por sua vez, aproveitou ao máximo para insuflar preconceitos. Colocava em circulação piadas tipo “os candidatos do PT não estão mostrando currículos, mas sim folhas corridas e boletins de ocorrência”...

Então, na eleição de 1986, o que o partido mais queria era dar a volta por cima, projetando uma imagem de respeitabilidade. Quando a prisão dos quatro de Salvador ameaçou relacionar o PT com as expropriações outrora praticadas pela vanguarda armada, foi um deus-nos-acuda!
Lemos: "Foi um golpe brutal".

Além de negar qualquer apoio a esses militantes, a tendência majoritária começou a reprimir e expurgar as correntes radicais abrigadas em suas fileiras. Pertencer simultaneamente à Articulação e ao PT continuou in, mas ser da Convergência Socialista e do PT virou out. Porta da rua é serventia da casa.

Os párias ficaram numa situação extremamente vulnerável — e os policiais, contrários à redemocratização do País, não desperdiçaram a chance. Agentes da Polícia Federal começaram a levá-los a outros Estados, sem mandado judicial nem comunicação a seus advogados, para serem mostrados a testemunhas de todos os assaltos a bancos ocorridos em passado recente.

Nem mesmo a Ordem dos Advogados do Brasil obtinha permissão para dar assistência aos prisioneiros nessas praças e acompanhar os reconhecimentos. Havia uma intenção óbvia de inculpá-los de tantos delitos quanto fosse possível.

A gota d’água foi o telefonema recebido por Rubens Lemos na rádio de Natal em que comandava um programa esportivo, alertando-o de que os explosivos recentemente roubados de uma pedreira se destinariam à simulação de uma revolta no presídio de Salvador; no meio da confusão, os quatro seriam assassinados.

Lemos fez essa denúncia no ar, abortando — se havia — tal plano. Quatro decidiram entrar em greve de fome a partir de segunda-feira. Dois dias antes, não há nenhum esquema de imprensa estruturado para fazer com que seu protesto repercuta nas principais capitais do País.

O comitê de solidariedade paulista é imediatamente formado. E André aceita ficar com a missão mais difícil: colocar a greve de fome no noticiário...

Começa enviando um comunicado à imprensa para cientificá-la da greve. Ninguém publica.

Convence Lemos a escrever uma carta emocionada à população brasileira, afirmando que, em face de seus (reais) problemas cardíacos, delega ao povo a missão de assegurar a sobrevivência do filho Cícero, caso não possa fazê-lo pessoalmente. Ninguém publica.

Visita deputados, redações, agências noticiosas. Na do Governo Federal, a Empresa Brasileira de Notícias, quem o atende é um agente do Serviço Nacional de Informações travestido de jornalista. Fazendo-lhe uma ameaça velada:
José Wellington Diógenes hoje é advogado
— O tempo não está bom para os presos políticos e muito menos para quem já esteve preso. Se for pra jaula de novo, é bem provável que nunca mais saia. Ou ir direto pra baixo da terra...
Tem melhor sorte nos contatos com os correspondentes estrangeiros, que enviam algumas linhas a seus veículos. Mas é pouco para incomodar o governo brasileiro.

A cada dia, aumenta a apreensão no comitê de solidariedade. André atua em tempo integral, atirando em todas as direções.

Procura o procurador Hélio Bicudo, que já entrevistara para uma revista, e pede ajuda. Bicudo lhe dá uma apresentação para a Cúria Metropolitana de São Paulo. Acaba conseguindo uma carta anódina na Igreja, na linha de que por piores que hajam sido seus crimes, esses presos devem ter seus direitos respeitados. Ninguém publica.

Faz idêntica gestão na OAB, obtém uma carta igualmente cautelosa e também a distribui inutilmente aos jornalistas.

Manda um fax pessoal a todos os diretores-proprietários de veículos da grande imprensa, alertando-os de que, caso persista o boicote às notícias sobre a greve de fome, frustrando quaisquer chances de atendimento das reivindicações, caberá a eles a responsabilidade por qualquer tragédia que venha a ocorrer.

Quando já não sabe mais o que fazer ou a quem recorrer, o colunista que escreve sobre o Rio de Janeiro na página de Opinião da Folha de S.Paulo, Newton Rodrigues, dedica todo seu espaço daquele dia ao assunto. Diz que recebeu do jornalista Lungaretti uma denúncia consistente sobre violação dos direitos humanos dos quatro de Salvador, tendo repassado-a ao ministro da Justiça, Fernando Lyra.
Bobby Sands, mártir irlandês.

André, que enviara o dossiê a Newton Rodrigues apenas por causa das posições libertárias que este assumia na coluna diária e do seu passado de resistência ao golpe de 1964, fica então sabendo que o veterano jornalista faz parte do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (...). Um golpe de sorte, no momento exato! Os quatro, segundo os médicos, começam a correr riscos mais graves!

No dia seguinte, Rodrigues relata a seqüência do caso: o ministro determinou ao governador da Bahia, Waldir Pires, que tome as providências cabíveis para que a greve de fome tenha um desfecho humanitário.

André e o comitê de solidariedade são informados de que o governador baiano oferece aos presos a garantia de não serem mais sequestrados pela Polícia Federal para reconhecimentos arbitrários, além de estar disposto a permitir que estudem ou trabalhem durante o dia, somente pernoitando na prisão.

Mas os quatro, empolgados com a mobilização de estudantes de Salvador em seu favor, pretendem prolongar a greve de fome por mais dois dias. Querem arriscar ainda mais a vida para desfrutar seu momento de glória, depois de terem sido vilipendiados pela própria esquerda!

André compreende seus sentimentos, mas considera o êxito político mais importante do que o desagravo pessoal. Então, na reunião do comitê, ele é incisivo:
— Estávamos sem perspectiva nenhuma e a vitória praticamente caiu do céu. Não podemos permitir, de jeito nenhum, que ela se transforme em derrota.
Decide-se mandar um ultimato a Salvador: ou os quatro saem imediatamente da greve, ou o comitê de apoio paulista vai mandar um comunicado a todos os jornais expressando sua discordância dessa postura.

É um blefe pois, a julgar pelos precedentes, ninguém publicaria. Mas, surte efeito. Depois de mais de uma semana sem alimentarem-se, os quatro são socorridos e se restabelecem plenamente.

Como recompensa por ter agido enquanto o PT se omitia, André recebe um insulto insólito do dirigente petista Rui Falcão:
— O Lungaretti e os quatro de Salvador são todos cachorros loucos!"
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A CONSTITUIÇÃO PROÍBE, NINGUÉM LIGA: MAIS DE 90% DA DÍVIDA PÚBLICA BRASILEIRA É DE JUROS SOBRE JUROS.

lunes, 26 de octubre de 2015

Aportes para entender el laberinto argentino

Por Alfredo Serrano Mancilla*

Copia Bunker-ScioliComenzó en Argentina todo lo que habitualmente ocurre luego de una cita electoral.  La batalla del día después se inició desde antes que acabara la mismísima jornada electoral.  Todos se proclamaron ganadores.  Sergio Massa (Unidos por una Nueva Argentina), que alcanzó el tercer lugar, se asumió ganador porque era la primera vez presente en una cita electoral presidencial y obtuvo un buen resultado, el 21,34%.  El segundo, Mauricio Macri (Frente Cambiemos), con el 34,33%, se ve con posibilidades de ser primero.  Y el primero, Daniel Scioli (Frente para la Victoria), con 36,85%, forzadamente alegre, porque en definitiva no le quedaba otra que celebrar por ser quien más votos sacó a pesar de estar lejos de lo deseado.

Con este panorama, lo que sí se puede afirmar es que hasta el momento todavía no hay Presidente.  La primera vuelta solo sirvió para abrir el debate de la segunda.  En Argentina, solo se gana en primera vuelta si ocurre que: 1) se obtiene más del 45% de los votos, o 2) se obtiene más del 40% y se tiene una diferencia de 10 puntos respecto al segundo.  Ninguna de estas dos situaciones ha tenido lugar.  El país ya piensa en una segunda vuelta, por primera vez en la historia, para el 22 de Noviembre: la disputa será entre el candidato oficialista Scioli y el conservador Macri.

La mayoría de las encuestas volvieron a demostrar su incapacidad para acertar las preferencias electorales en un país donde la sociedad ha cambiado drásticamente en pocos años.  No hubo ninguna encuesta que se atreviera a prever un margen tan estrecho entre ambas alternativas luego de que hace pocos meses, en Agosto, en las PASO (Primarias Abiertas Simultáneas y Obligatorias), Scioli obtuviera el 38,67% frente al 30,12% de Macri.  ¿Qué pasó entre los resultados de las PASO y lo acontecido en esta contienda electoral?  ¿Qué ha ocurrido con estos más de 8 puntos de diferencia que ahora se han convertido sólo en 2?  ¿Qué ha pasado con el 54% que obtuviera la Presidenta Cristina Fernández de Kirchner (CFK) en las pasadas elecciones presidenciales del 2011?

Algunas razones para dar respuesta a estas cuestiones son las siguientes:
  1. Lo principal, indudablemente, es que Scioli no fue el mejor candidato del proyecto kirchenerista. Durante estos meses el oficialismo pretendió instalar la idea de que “el candidato es el proyecto” como fórmula para conjugar la figura de Scioli con lo que venía haciendo el kirchnerismo. Todas las valoraciones de la política K y de la Presidenta venían siendo muy positivas (por encima del 50%) en los últimos meses.  Tanto fue así que la táctica electoral opositora no se caracterizó por la confrontación.  La campaña no se centró ni en la estatización de YPF, ni de Aerolíneas Argentinas, ni en la reestructuración triunfante de la deuda externa, ni en las políticas públicas garantizadoras de derechos sociales.  Scioli intentó capitalizar todo ello pero no lo logró.  Procuró ser la candidatura del proyecto pero no lo consiguió.  Demasiada diferencia entre el candidato y el proyecto.  Scioli no se escribe con K.
  1. CFK no quiso (o no pudo) ser determinante a lo largo de la campaña. La Presidenta estuvo de retirada desde incluso antes que se definiera que Scioli iba a ser el candidato. No participó apenas en la campaña.  Tampoco logró construir un candidato más a su medida, más afín a la centralidad K.  No dio esa pelea; o la dio pero la perdió; o creyó que no tenía un candidato ganador en sus filas; o se confió creyendo que podría pensar en la siguiente contienda presidencial sin haberse ganado todavía ésta.  Esta “distancia” de CFK con las elecciones ha tenido un alto coste.  La figura del Vicepresidente, impuesta por la Presidenta, Zanini, parecía por momentos ser un candidato de otro partido.  Más un aliado que un compañero de fórmula.  La propuesta K para la Provincia de Buenos Aires, Aníbal Fernández, tampoco fue acertada a la luz de los resultados: se perdió el bastión peronista a manos de la macrista María Eugenia Vidal.  En suma, se puede afirmar que la Presidenta no sumó lo esperado.  Tanto fue así que por ejemplo su organización más simbólica e importante en estos años, la Cámpora, ni siquiera acudió al cierre de campaña de Scioli.  En política, cada detalle cuenta.  Y esta “actitud de lejanía” de CFK con Scioli ha restado y seguramente erosionado más de lo que estaba previsto.
  1. Scioli lastra una gestión de ocho años en la Provincia de Buenos Aires (36% del padrón electoral), con sus aciertos pero también con sus errores. Tiene un perfil presidenciable pero muy alejado de la épica, de la emotividad, del relato K. Scioli no logra identificarse con la impronta juvenil que tanto ha caracterizado al kirchnerismo en estos últimos años.  Es demasiado siglo XX, tal vez, para la política del siglo XXI.  Su discurso es seguramente propio de un peronismo más obsoleto que aquel que ha venido moldeando el kirchnerismo.  Además, Scioli optó por apenas confrontar: prefirió hablar como si ya hubiese ganado.  Aceptó así fácilmente el campo propuesto por los asesores de Macri (especialmente de Durán Barba) de evitar embarrarse en el ring de boxeo.  Y en política, en el juego electoral democrático, para ganar, hay que bajarse a la arena, y combatir dando y recibiendo, con respeto pero también arrinconando al rival interpelándolo en cada propuesta.  Seguramente, así será el Scioli que veremos desde ahora hasta el final de la campaña de esta segunda vuelta.  Más vale tarde que nunca.
  1. La derecha argentina ha sabido reinventarse. Aquello que pareciera un intento aislado con Macri como líder en la capital, se ha convertido a día de hoy en un movimiento con presencia en todo el territorio. El macrismo fue de a poco: sumando a lo largo y ancho del país.  Aglutinando en una primera etapa a personajes conocidos alejados de la política tradicional.  Pero luego, en un segundo momento, comenzó a tejer alianzas con la vieja política (particularmente con el radicalismo) para dotarse de estructura territorial.  Macri ha venido usando un lenguaje muy de siglo XXI, con el nuevo tono de la derecha de la buena onda.  Evitando constantemente la confrontación; alejándose de su propio pasado de apariencia neoliberal; sabiendo realzar todo lo avanzado por el contrincante político.  Apenas ha propuesto nada nuevo a pesar de haberse querido presentarse como el adalid del cambio.  Su vacío programático fue repleto de marketing político.  Esta es la nueva estrategia de la derecha regional que acata con deportividad y resignación que el nuevo sentido común es característico de un cambio de época en Argentina y en buena parte de América Latina.  Así Macri ha logrado colarse en una segunda vuelta con opciones reales de ganar.  Esta elección le suma; parte con viento a favor.  Pero su capacidad real de victoria dependerá en gran medida de cómo se encuentre en un cuadrilátero contra Scioli.  Hasta el momento, un escenario no deseado ni por uno ni por otro.  Veremos qué pasa desde ahora en adelante.
  1. El tercero en discordia, Massa, logró quedarse adentro a pesar del duelo a dos. Massa, de pasado K, y ahora más anti K que Macri, supo sortear lo que supone la importancia del voto útil en este tipo de situaciones electorales. Se coló en la fiesta para quedarse.  Su discurso tuvo un movimiento pendular: de derechas-conservador en todo lo referente a las penas contra la inseguridad y liberal en todo lo económico.  Fue más crítico con el rol del Estado que Macri.  Buscó la confrontación hasta el extremo, lo que le sirvió para expresar con notoriedad su propuesta política.  Desde luego que sacar un 21% de los votos le permite constituirse en llave para la segunda vuelta.  En su discurso de anoche, se puso precio: se vendió al mejor postor.  Aunque todo parece indicar que acabará de aliado de Macri, tampoco hay que descartar que se ofrezca también a Scioli (es anti K pero no está tan claro que sea anti Scioli); o quizás no se decida por ninguno de los dos en forma explícita pensando más en lo que pueda pasar de aquí a cuatro años.
  1. Por último, siempre está una clave que conlleva la máxima dificultad a la hora de explicar lo sucedido en una contienda electoral: es eso que llamamos pueblo. En Argentina, en estos años, la mayoría social no es ni por asomo aquella que salía de la crisis, del corralito, del hambre y de la miseria. El cambio es cambio en toda su plenitud.  Y por tanto, también se transforma lo que la sociedad piensa, demanda, imagina, exige, vota.  Lo que hace una década fue una demanda social, hoy (afortunadamente) es un derecho naturalizado.  La gente quiere más; tienen nuevas preguntas, y ello requiere nuevas respuestas.  Lo popular y plebeyo no puede ser en absoluto concebido como una categoría estática.  Este es sin duda uno de los ejes fundamentales de estos años futuros en disputa, entre el intento de restauración conservadora y el proceso de cambio que está en curso.
Son éstas algunas líneas para entender lo sucedido en este nuevo mapa político-electoral argentino tras las elecciones.  No queda otra que esperar a la siguiente cita electoral para saber quién será Presidente a partir del 10 de Diciembre de este año.  A partir de ahora, comienza otra campaña que nada tiene que ver con la anterior.  Seguramente, el desenlace final dependerá más de la estrategia kirchnerista que de lo que pueda hacer Macri.  Lo que el kirchnerismo se proponga y lo que Scioli decida hacer serán las claves para lo que se viene.  Pero eso ya es otro cantar.


*Director de Centro Estratégico Latinoamericano de Geopolítica (CELAG)

* Artículos relacionados
- Apuntes sobre Mauricio Macri y el ¿huracán amarillo? en Argentina (Gisela Brito) http://www.alainet.org/es/articulo/173230
- Game over. Balotaje en Argentina (Esteban De Gori) http://www.alainet.org/es/articulo/173231

URL de este artículo: http://www.alainet.org/es/articulo/173228
Imagen agregada, Kaloian/Cubadebate

sábado, 24 de octubre de 2015

Niños de la calle: entre victimarios y víctimas

Marcelo Colussi / Especial para Con Nuestra América
Desde Ciudad de Guatemala

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El fenómeno es relativamente nuevo, de las últimas décadas; pero lo peor es que está en franca expansión. Se estima que en todo el mundo hay 150 millones de niños que trabajan o viven en las calles. ¿Por qué? ¿Cuál es la verdadera historia de los niños de la calle?
 
En el Primer Mundo se discute sobre la calidad de vida; en el Tercer Mundo sobre su posibilidad.
 
 Situando el problema
 
Desde la década de los ‘50 en los países latinoamericanos se vive un proceso de acelerado despoblamiento del campo y crecimiento desmedido y desorganizado de sus ciudades principales. Muchas de sus capitales, de hecho, están entre las ciudades más pobladas del mundo. Pero pobladas por gente desesperada, que llega a estas enormes urbes para instalarse muchas veces en condiciones infrahumanas. Se calcula que una cuarta parte de la gente que habita ciudades de la región lo hace en asentamientos precarios: favelas, villas miseria, tugurios.
 
La población escapa a la pobreza, y en muchos casos también a las guerras crónicas, de las áreas rurales. El resultado de todo esto son megápolis desproporcionadas sin planificación urbanística plagadas de barrios mal llamados “marginales”.
 
Sumado a este proceso de éxodo interno tenemos las políticas neoliberales que desde los años ‘80 (“la década perdida” según la CEPAL) empobrecieron más las ya estructuralmente pobres economías de la región. Hoy cada niño que nace en Latinoamérica ya sufre la condena de tener sobre sí una deuda de 2.500 dólares con los organismos financieros internacionales (Banco Mundial y Fondo Monetario Internacional). Deuda, obviamente, que repercute en una falta crónica de servicios básicos, en falta de oportunidades, en un futuro ya bastante trazado (y no de los más promisorios precisamente).
 
Como consecuencia de estas políticas de “ajuste estructural”, como dicen los tecnócratas, se dio un aumento de la miseria de los siempre pobres sectores agrarios y un aumento de la migración hacia las ya saturadas capitales. Ningún país de la región, aunque a veces se muestren números promisorios en la macroeconomía, resolvió los problemas crónicos de las grandes mayorías. La pobreza real ha aumentado estos últimos años, haciendo más grande la distancia entre ricos y pobres. Los asentamientos precarios van albergando cada vez más gente, casi tanta gente como los barrios formales. Pareciera que hay un proceso de exclusión donde el sistema expulsa, hace “sobrar” población. Pero si la “gente sobra”, esto sólo puede darse en la lógica económico-social dominante, nunca en términos humanos concretos. La gente está allí y tiene derecho a vivir (junto a otros derechos que le aseguran una vida digna y con calidad). Uno de cada dos nacimientos en el mundo tiene lugar en un barrio “marginal” (¿o marginalizado?) del antes llamado Tercer Mundo. Y, por lo pronto, hay 4 nacimientos por segundo.
 
El problema, valga aclararlo, no está en el aumento constante de bocas a alimentar. Alimentos hay, y de sobra. Se calcula que la humanidad dispone entre un 40 a 50% más de los alimentos necesarios para nutrirse. Si hay hambre, ello obedece a razones enteramente modificables. No hay designios naturales ni divinos en eso.
 
Donde más golpea la pobreza, por cierto, es en la infancia.
 
El círculo maldito de la pobreza
 
Niños nacidos en la pobreza, niños de barrios marginalizados, niños que, desde el inicio, para la lógica dominante “sobran”. No los esperará entonces, seguramente, un mundo de rosas. Si uno de estos niños tiene suerte y no muere de alguna enfermedad previsible o por inanición, trabajará desde muy pequeño. Quizá termine la escuela primaria, pero probablemente no. Casi con seguridad no asistirá a la escuela media; mucho menos a la Universidad (en Latinoamérica eso sigue siendo aún un lujo). Se criará como pueda: pocos juguetes, mucha violencia, poco cuidado paterno (padres que trabajan fuera de la casa como constante); seguramente se criará junto a muchos hermanos: seis, ocho, diez. Esto en el campo, donde se necesitan muchos brazos para las faenas agrícolas, es parte de la cultura cotidiana; pero en un asentamiento precario en medio de una gran ciudad es ante todo un problema. Su trabajo será en las calles, no bajo la supervisión de sus padres. Trabajo, por otro lado, siempre descalificado, muy poco remunerado, siempre en situación de riesgo social: la violencia, la transgresión, las drogas estarán muy cerca. Esto se potencia en el caso de las niñas.
 
Pero dicho sea de paso: ese trabajo mal remunerado y en condiciones peligrosas aporta no menos del 20% del ingreso familiar de muchos países de la región. Es decir que sin ese trabajo –que, por supuesto, hipoteca el futuro de niñas y niños– los hogares serían más pobres de lo que son.
 
La pobreza de donde provienen estas niñas y niños no se concibe sólo en términos de ingreso monetario, siempre escaso por cierto. También lo es en cuanto a recursos en general para afrontar la vida, en conocimientos, en experiencias. Las familias “reproductoras” de niños que van a trabajar, o en algunos casos vivir, a las calles son en general numerosas, con dinámicas violentas, con antecedentes de alcoholismo, en algunos casos promiscuas, a veces con historias delincuenciales. Pero todo ello no por una cuestión de “dejadez”, de “vicio moral”. Es el síntoma de una descomposición social creciente de un sistema que, en vez de integrar gente, la expulsa. El “ejército de desocupados” del que hablaban los clásicos del materialismo histórico en el siglo XIX sigue absolutamente vigente. El capitalismo neoliberal usa ese ejército de forma cada vez más inmisericorde.
 
Todo este nivel de descomposición social es más fácil que se de en un grupo marginado económica y socialmente (los que “sobran”) antes que en los sectores integrados. Lo dramático es que la población “sobrante” aumenta, y por ende sus niños, que son quienes terminan poblando las calles.
 
En cualquier ciudad latinoamericana vemos como algo común ejércitos de niños deambulando por las calles. Desde muy tempranas edades, sucios, harapientos, a veces con su bolsita de inhalante en la mano, estos niños y niñas ya forman parte del paisaje cotidiano: menores de edad que venden cualquier baratija, lustran zapatos, lavan automóviles, mendigan o simplemente roban, y pasan sus días en parques, mercados o terminales de autobuses haciendo nada.
 
El fenómeno es relativamente nuevo, de las últimas décadas; pero lo peor es que está en franca expansión. Se estima que en todo el mundo hay 150 millones de niños que trabajan o viven en las calles. ¿Por qué? ¿Cuál es la verdadera historia de los niños de la calle?
 
La calle atrapa
 
Establecidos en las calles es muy fácil que algunos se perpetúen allí. Y cuando esto sucede, cuando se cortan los vínculos con las familias de origen, la inercia lleva a que sea muy difícil salir de ese ámbito. Callejización, consumo de drogas y transgresión van de la mano. “Para una innumerable cantidad de niños y jóvenes latinoamericanos la invitación al consumo es una invitación al delito. La televisión te hace agua la boca y la policía te echa de la mesa”, reflexionaba sobre esto Eduardo Galeano. Un niño finalmente se queda a vivir en la calle porque escapa así a un infierno diario de violencia, desatención, escasez material. Recordemos que pobreza no es sólo falta de dinero efectivo; es también falta de posibilidades para el desarrollo, desatención, violencia. Lo que, casualmente, se encontrará ante todo en los grupos más sumergidos, en las “poblaciones excedentes”.
 
Son varias las instituciones que se ocupan del problema de los niños de la calle: las públicas (“centros de reorientación de menores”, en general reformatorios o cárceles) con una propuesta más punitiva y en dependencia de dictámenes legales; las no gubernamentales con proyectos de corte humanitario o caritativo, muchas veces ligadas a iglesias.
 
Más allá de buenas intenciones y diversidad de metodologías, el impacto de sus acciones es relativo; por supuesto que una atención puntual en un caso, o un apoyo concreto para la sobrevivencia, puede ser mucho. Y ni hablar de algún niño rescatado de esta situación y reubicado en otra perspectiva. Ello es encomiable. De todos modos el fenómeno en su conjunto no se termina, por el contrario crece.
 
El supuesto “amor” de la caridad religiosa no alcanza. “Amar” incondicionalmente a un niño paria es, finalmente, un engaño. ¿A título de qué amar tanto? Un proyecto humano no se puede construir a base de caridad, porque ello ratifica la diferencia: uno que tiene y puede dar a un necesitado de todo. Eso no es un modelo sostenible. Además, y valga enfatizarlo, muchas, muchísimas veces, esta filantropía desinteresada, este “amor” incondicional de activistas caritativos que “se quitan el pan de la boca para dárselo a estos niños menesterosos” encubre acciones perversas: tanto aman a los niños de la calle que… muchos casos terminan en violaciones.
 
Niños de la calle: ¿victimarios o víctimas? ¿Qué hacer entonces?
 
No debe olvidarse que esos mismos niños y jóvenes deben procurarse algún sustento, y lo más a la mano al respecto termina siendo, irremediablemente, el hurto. Una cadena, un reloj, una cartera, un equipo de sonido de un vehículo pasan a ser el alimento cotidiano de estos parias. (A propósito: ¿cuántas veces nos enteramos de reducidores de estos objetos robados que caen detenidos?). En tal sentido, en tanto transgresores, son victimarios.
 
De ningún modo se pude justificar una conducta transgresora; en el marco de las sociedades capitalistas donde el fenómeno de la niñez callejizada tiene lugar, no se puede premiar el atentado contra la propiedad privada. Robar una billetera a un transeúnte es un acto delictivo, estamos claros. Pero hay que partir por reconocer que la problemática concierne a todos. Cada niño durmiendo en una plaza o con su bolsa de pegamento es el síntoma que indica que algo anda mal en la base; taparse los ojos ante esto no soluciona nada.
 
Los niños, el eslabón más débil de la cadena, son la esperanza de un futuro distinto; también los de la calle (convengamos en que la Historia aún no ha terminado, y si lo que vemos hoy día es un aumento de la pobreza, aún caben las esperanzas de “otro mundo posible”). Estigmatizarlos no servirá para contribuir a algo nuevo. “La continuada marginación económica y social de los más pobres está privando a un número creciente de niños y niñas del tipo de infancia que le permitirá convertirse en parte de las soluciones de mañana, en vez de pasar a engrosar los problemas. El mundo no resolverá sus principales problemas mientras no aprenda a mejorar la protección e inversión en el desarrollo físico, mental y emocional de sus niños y niñas” (UNICEF). Los niños de la calle, en tal sentido, son las víctimas de un sistema, quizá las más golpeadas.
 
Ahora bien: más allá de bienintencionadas declaraciones, correctas en sí mismas, está más que claro que el problema de niñas y niños en la calle no se puede solucionar independientemente del entorno que los crea, de las condiciones por las que surgen. Aunque mágicamente se les hiciera desaparecer a todos hoy, mañana seguro habrá más, porque el chorro que los produce no se ha cerrado. Son un síntoma. Y para curar un síntoma hay que ir a las causas.
 
Son victimarios en tanto roban por la calle, eso está fuera de discusión. Pero ¿acaso el sistema económico-político-social que los crea no es un atentado a la vida, una afrenta a la humanidad? Que sea legal, que las políticas neoliberales y capitalistas en general sean legales, que todo ello sea la legalidad estatuida, no significa que sea justa. “La ley es lo que conviene al más fuerte”, enseñaba Trasímaco de Calcedonia hace dos mil quinientos años. Y tenía razón. Se trata, entonces, de crear otro marco general donde no haya fuertes que se tragan a los débiles.
 
Publicado por Con Nuestra América

jueves, 22 de octubre de 2015

58 comunicadores asesinados: en #Honduras los periodistas estamos en la mira de la dictadura


Por Andrés Figueroa Cornejo*
Adital
"Una prensa libre puede ser buena o mala,
pero sin libertad, la prensa nunca será otra cosa que mala.”
Albert Camus

Nos hermanamos en la Ciudad de Buenos Aires. Ambos migrantes, ambos periodistas, ambos puteando contra la injusticia. Más tarde nos distanciaron los respectivos retornos a nuestros países de origen. Miles de kilómetros existen entre Chile y Honduras. Pero el afecto combinado astrofísicamente con la convicción de transformar las relaciones sociales de la miseria y el crimen, vuelven relativo el tiempo y el espacio. Cuestiones de la luz y de los átomos que estrechan el abrazo.

El periodista hondureño Ricardo Ellner (http://www.rebelion.org/noticia.php?id=204166) viene a acusar a la dictadura de Juan Hernández [presidente de Honduras] en nombre de la libertad. Porque también para desmoronar el olvido y el silencio asesino sirve el periodismo.

resumendelsur
Ricardo Ellner 

¿Cómo se expresa la concentración de los medios de comunicación en la tierra de Morazán?

La propiedad de los medios está distribuida entre varios empresarios. Es un oligopolio que representa los mismos intereses oligárquicos. Los medios dominantes son el diario Tiempo (http://www.tiempo.hn/), cuyos dueños son la familia sionista Rosenthal. De hecho, según la revista Forbes, Jaime Rosenthal es uno de los 100 empresarios más poderosos y millonarios de Centroamérica. Los diarios La Prensa (http://www.laprensa.hn/) y El Heraldo (http://www.elheraldo.hn/) pertenecen a Jorge Canahuati Larach. Ambos grupos tienen acaparados el territorio de las radionoticias y las televisoras. Rosenthal, además de banquero, posee el muy visto canal 11 de TV, agencias de publicidad, agencias noticiosas y monopoliza la oferta de los servicios digitales. Por su parte, Canahuati es dueño además de revistas, de televisoras, radios, agencias de publicidad. Entre ellos compiten, pero en la realidad quien les baja la línea, y viceversa, es el gobierno actual. Asimismo, está el diario La Tribuna (http://www.latribuna.hn/) que es del ex presidente liberal Carlos Flores (para mayor información, consultar http://www.rebelion.org/noticia.php?id=88782).

Por otro lado, existe una emisora, la radio Globo (http://www.radioglobohonduras.com/) y Globo TV (http://www.globotvhonduras.com/), que crecieron y se potenciaron durante el golpe de Estado del 28 de junio de 2009. Su director de noticias es Gabriel Romero Ellner, quien ha sostenido una posición frontal contra el gobierno. Es un comunicador ducho y con experiencia que ha develado valientemente los actos de corrupción de la dictadura. Por esos medios, el pueblo hondureño supo que el titular del Ejecutivo saqueó los ahorros jubilatorios de los trabajadores/as para financiar su campaña electoral (USD350 millones). Como los periodistas que se desempeñan en esas casas mediales hacen un periodismo de investigación y denuncia, son perseguidos políticamente.

¿Qué tipo de persecuciones sufren?

Gabriel Romero casi todos los días es seguido por un automóvil sin placas. También intentaron asesinarlo a través de una emboscada realizada mientras ingresaba a la radio a las cinco de la mañana. Zafó milagrosamente de ese ataque. Y ahora el poder lo quiere encarcelar porque denunció a la esposa del fiscal general de Honduras, la procuradora del país, por abuso de autoridad y mantener componendas políticas a través de su marido. El cargo contra Gabriel Romero es por difamación y las leyes usadas son de la dictadura, por supuesto. En estos casos, según el código penal, el proceso debe durar dos años. Sin embargo, el proceso contra Romero lo han abreviado a cuatro meses.

¿Y dónde se emplean los periodistas del país?

En algunos de los grupos que te mencioné o tienes que irte a una ONG, o a las relaciones públicas del gobierno. Ahí termina el campo laboral. Por otra parte, los medios alternativos, populares e independientes de información están desaparecidos, y cada vez que emerge uno, la policía se encarga de reprimirlo y destruirlo.

Libertad de expresión: hacia la muerte o hacia la autocensura
¿Cuál es la situación de la libertad de expresión, de prensa, de opinión de la población hondureña?

La libre emisión del pensamiento, la libertad de expresión, la libertad de prensa, están sumamente condicionadas. Yo las posibilito hacia dos caminos: hacia la muerte o hacia la autocensura.

Entonces…

Hoy las redes sociales juegan un papel preponderante. Porque, ¿de qué modo tú logras que tu voz no sea completamente cercenada? Hasta ahora la dictadura no puede controlar las redes sociales, pese a que en la actualidad los que mandan quieren imponer un decreto para ‘regularlas’. Creemos que eso no podrán hacerlo. La única manera sería sacando de Honduras a las empresas transnacionales dueñas de las redes sociales.

¿Es el ejercicio del periodismo la profesión de más alto riesgo en Honduras?

Es de alto riesgo, efectivamente. Aquí nuestra exposición a la muerte es directa. Estamos en la línea de fuego del poder local, del intervencionismo imperialista y de la corrupción institucionalizada. El Estado sólo garantiza la desprotección al periodismo. La única forma de que el periodismo no sea una práctica peligrosa, es si trabajas para el poder. En cambio, la tarea de los periodistas que no estamos con la dictadura es reescribir cotidianamente la historia. La misma historia que han borrado desde la academia hasta de los medios de comunicación. Entonces nos encontramos con que la historia genuina de nuestro país está llena de sangre, de violencia, de corrupción, de un juego político oligarca a costa de nuestro pueblo.

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Hacer periodismo de oposición al gobierno, como la Radio Globo, es una actividad exatremamente peligrosa, en Honduras.  

¿Cuál es el escenario que enmarca la lucha por la libertad de la voz?

Hoy Honduras continúa siendo el país más violento y peligroso del globo. De acuerdo al último reporte de la Organización Mundial de la Salud (OMS) sobre la prevención de la violencia 2014, por cada 100 mil habitantes hay 88.5 asesinatos. De 2013 a 2015, el Comisionado Nacional de los Derechos Humanos notificó 85 masacres. Una masacre es cuando matan a cuatro o más personas en un mismo lugar. Ellas han dejado a 491 víctimas en total impunidad. No existe ningún caso judicializado. ¿Qué hace el gobierno para bajar las cifras mentirosamente? Cuenta a una sola víctima por masacre. En la realidad estamos hablando de una tasa de alrededor de 20 asesinatos diarios.

¿Y cuáles son las causas principales de semejantes cifras?

El 80% de los hondureños sobrevive bajo la línea de la pobreza. Aquí nos enfrentamos con la ausencia de trabajo; la desigualdad social ampliada; y la actividad del narcotráfico es impresionante (http://www.rebelion.org/noticia.php?id=198142). El Partido Nacional en el gobierno es el principal gestor del narcotráfico junto con la DEA norteamericana (https://es.wikipedia.org/wiki/Administraci%C3%B3n_para_el_Control_de_Drogas). Nosotros sabemos que la DEA es la principal institución que mueve la droga en América Latina, en el conocido paso de Colombia hasta Estados Unidos. En estos momentos existe un buen número de funcionarios del Estado hondureño que están ligados a la narco-actividad. Ese tipo de violencia se refrenda por los medios de comunicación hegemónicos a través de las narco-novelas.

¿Narco-novelas?

Se trata de puras historias de narcotraficantes por capítulo, en horario televisivo estelar y con los rating más altos. Por ejemplo, tratan de cómo los narcotraficantes de Colombia se volvieron poderosos, cómo pudieron trascender sus propias fronteras y se metieron a territorios mexicanos, etc. Las traen envasadas de Estados Unidos y de Colombia. Son una verdadera oda al narcotráfico lo que hacen estos sinvergüenzas.

¿Y el exilio?

La dictadura también expulsa a la población del país. Nuestra población es de 8,5 millones de habitantes. Desde su instauración, 35 mil niños/as se han ido del país solos/as, buscando el sueño americano. ¿Y en qué se convierten? En víctimas de la trata de menores. En México caen en redes de trata, de venta de órganos o de prostitución infantil. En general, el exilio producto de la miseria y la persecución política, es de más de dos millones de personas y en los últimos cinco años, de medio millón. Pasa que vivimos en una sociedad donde el Estado tiene a todo el territorio militarizado, tal cual como en la década de los 80 del siglo XX. Ya no se ven policías, ni burócratas; en los hospitales públicos no son trabajadores sanitarios los que entregan las medicinas; en el aeropuerto la supervisión migratoria no la hacen agentes civiles de la aduana: todo ello lo realizan directamente los militares. Y todo Honduras está en contra de la militarización de la sociedad. El dictador Juan Hernández pretendió que los roles operativos de seguridad los efectuaran militares y perdió su iniciativa en el congreso nacional. Hasta los conservadores votaron en contra. Sin embargo, el Estado narco-militar continúa desplegándose y asesinando diariamente.

¿Qué ha manifestado el Colegio de Periodistas ante los crímenes?

El Colegio de Periodistas de Honduras no responde a los intereses de las y los periodistas. Es una cúpula que siempre está en sintonía con el gobierno de turno y busca beneficiarse económicamente. De los 58 asesinatos a periodistas entre el 2003 y lo que va del 2015, el gremio nunca se ha pronunciado ni mediante un comunicado de prensa sobre uno solo de ellos. En la actualidad, se dedica a apañar las fechorías del dictador. El presidente del colegio es Eduin Romero, un hombre que tiene una marcada trascendencia en los medios hegemónicos de comunicación del país.

El Día del Periodista en Honduras se celebra los 25 de mayo. El ‘aprendiz’ de dictador, Juan Hernández, ese día tuvo una presentación frente a muchos colegas y dijo que los periodista que disienten su voz y critican abiertamente al gobierno son ‘pseudo-periodistas incendiarios’. Allí estaba escuchando toda la directiva del gremio y se quedó callada. Es inverosímil. El resultado de este tipo de comportamientos es que la mayoría de los comunicadores sociales que nos graduamos de la universidad pública no estamos colegiados.

Del camino amarillo a las calles de Tegucigalpa
Sé que es una pregunta difícil. ¿Cuáles consideras los crímenes de periodistas más impactantes para el pueblo hondureño?

Todos han sido horribles. Pero ilustraré la situación con tres asesinatos. Alfredo Villatoro era el director de noticias de HRN (Radio Nacional de Honduras) y fue asesinado por los militares en 2012. Ello según investigaciones que no pudieron trascender. ¿Qué es lo que dijo la prensa, plegándose al oficialismo? Que se trató de un ‘ajuste de cuentas’. A Villatoro lo encontraron vestido de militar y con una banda roja, para, manipulando los hechos, decir que fue un crimen cometido por la izquierda, cuando fue la misma derecha quien lo asesinó. Era un hombre que no pertenecía a la oposición y que tenía una fuerte incidencia en la población, considerando que HRN llega a todo el territorio del país. Y sólo la Iglesia y HRN cubren todo Honduras. Antes de ser muerto, Villatoro estaba sacando algunos casos de corrupción fuertes.

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David Romero,director de noticias de Radio Globo, es uno de los periodistas mas perseguidos del país centroamericano. 

Otro episodio terrible fue el crimen de Aníbal Barrow. Él fue un periodista que trabajaba en Radio Globo y denunciaba permanentemente todos los casos de corrupción del gobierno. El 2013, Barrow apareció picado, descuartizado. Las partes de su cuerpo fueron diseminadas en distintos lugares. Su asesinato sigue en la más absoluta impunidad.

Finalmente, puedo hablarte del caso del periodista Erick Martínez, con quien fuimos compañeros en la universidad, grandes amigos y grandes camaradas. Erick formó parte del Frente Nacional de Resistencia. Fue asesinado por la dictadura, estrangulado y hallado en la periferia de Tegucigalpa. Para Erick inventaron que su muerte fue provocada por ‘una cuestión sentimental’. Él se desempeñaba como comunicador y secretario del Colectivo Violeta que lucha por los derechos LGBT. También fue comunicador en el Bloque Popular, la organización que antecedió al Frente Nacional de Resistencia Popular (http://www.resistenciahonduras.net/), y después en las comunicaciones del FNRP. Antes de ser asesinado, Erick escribió un artículo titulado ‘Del camino amarillo a las calles de Tegucigalpa’. Su crimen también reposa en la impunidad que seguirá campeando en Honduras mientras no se cambie el sistema político y económico del país.

Nosotros sabemos que por la peligrosidad del periodismo aquí, el quehacer comunicacional puede costarnos la vida. Ahora nosotros estamos hablando tranquilamente, pero no sé qué puede ocurrir conmigo mañana. A muchos y a mí nos vigilan. Tenemos los teléfonos intervenidos. Me acaban de despedir del diario Tiempo por resistirme a la autocensura, a no llamar golpe de Estado al golpe de Estado, a no mencionar al Partido Libre ni al FNRP. Que te echen de un medio hegemónico es lo mínimo por escribir la verdad bajo un gobierno fascista, bajo una dictadura en guerra contra el pueblo hondureño. Idiotas. Jamás podrán amordazarnos.
 
 
 *Periodista. Twitter @PeriodistaFigue
 
 Fuente Adital